PEDAGOGIA EM ESPORTES DE COMBATE
Introdução
O esporte tem como uma de suas
características a competição, na qual são estabelecidas regras a fim de que os
competidores, dentro de uma modalidade esportiva, estejam em condições de
igualdade para a comparação de performance entre eles. (GALATTI E
COLABORADORES, 2007).
Embora amplamente conhecido, o termo Luta,
por vezes, é confundido ou usado como sinônimo de Artes Marciais ou Modalidades
de Combate. Esta imprecisão terminológica gera como consequências, praticas
pedagógicas e metodológicas com pouca ou sem fundamentação teórica
(FRANCHINI,1998).
Para Franchini (1998) o processo de ensino
das diferentes modalidades de lutas está baseado em uma intensa tradição oral,
disseminada de geração em geração, com pouca fundamentação teórica para sua otimização.
Esporte de
combate
É um esporte de contato competitivo onde dois combatentes lutam o um
contra o outro usando as certas regras de contato, com o objetivo de simular
partes do combate corpo-a-corpo verdadeiro. As artes marciais mistas e a esgrima são
os exemplos de esportes de combate.
As modalidades
esportivas de combate são lutas ou atividades derivadas das artes marciais que
adquiriram/incorporaram características do esporte moderno: rígidas por
unidades institucionais, como federações e confederações e que contam com
regras de pratica e combate bem definidas, campeonatos, medalhas, sistemas
competitivos e classificatórios (DEL VECCHIO E FRANCHINI).
Algumas regras do
jogo se especializam em uma área, enquanto outros permitem a superposição.
Lutas nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN)
Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs)
da Educação Física se constituem num referencial teórico que busca a reflexão
sobre os conteúdos curriculares a nível Nacional, Estadual e Municipal. Tendo
em vista orientar e garantir a coerência das políticas de melhoria da qualidade
de ensino, socializando discussões, pesquisas e recomendações, além de nortear
a prática pedagógica do docente desta área, principalmente objetivando mostrar
as formas e meios de adequação no que se refere à construção do planejamento
com vistas no projeto político-pedagógico da escola, para que este se efetive
de maneira dinâmica e concreta (SOUZA E FAVERO, 2010)
A Educação Física
é entendida como uma disciplina que trata do conhecimento da cultura corporal de
movimento, os esportes, a dança, a ginástica, as lutas, entre outras temáticas
que se relacionam com a cultura do movimento e com o contexto histórico-social
dos alunos.
Para que o
educando tenha um desenvolvimento completo e adequado, é necessário que ele
seja estimulado durante a vida escolar para que possa conhecer e aprimorar suas
habilidades e capacidades como um todo.
Para tanto, deve
ter a oportunidade de vivenciar práticas corporais como: esportes, jogos, lutas
e ginásticas; atividades rítmicas e expressivas; conhecimentos sobre o corpo.
De acordo com os
PCN’s de Educação Física, o professor, durante a elaboração de seu
planejamento, deve considerar o corpo como um organismo integrado, que interage
constantemente com o meio físico e cultural, que sente dor, prazer, alegrias,
medos etc.
É importante
destacar que todas as práticas da cultura corporal de movimento possuem
expressividade, pela qual, por meio de sua vivência individual, o ser humano
produz a possibilidade de comunicação por gestos e posturas e ritmo, pelo qual,
desde a respiração até a execução de movimentos mais complexos, se requer um
ajuste em relação ao espaço e ao tempo.
As lutas são
disputas em que o(s) oponente(s) deve(m) ser subjugado(s), mediante técnicas e
estratégias de equilíbrio, contusão, imobilização ou exclusão de um determinado
espaço na combinação de ações de ataque e defesa. Constituem-se em um vasto
conjunto de manifestações culturais históricas, que deve ser aprendido.
Importante é, também por esse motivo, diversificar as lutas, não reduzindo o
ensino a uma ou duas modalidades. Nesse ponto o professor que trabalha de forma
extracurricular tem uma importância muito grande, pois oportuniza maior
variedade de modalidades de lutas.
Segundo
os PCN’s (BRASIL, 1988: 96) os objetivos da prática das lutas na escola, são: a
compreensão por parte do educando do ato de lutar (por que lutar, com quem
lutar, contra quem ou contra o que lutar; a compreensão e vivência de lutas no
contexto escolar (lutas X violência; vivência de momentos para a apreciação e
reflexão sobre as lutas e a mídia; análise dos dados da realidade positiva das
relações positivas e negativas com relação a prática das lutas e a violência na
adolescência (luta como defesa pessoal e não para “arrumar briga”) (FERREIRA,
2009).
No
Brasil, temos uma gama muito grande de lutas, onde cada cidade ou escola tem
uma realidade e uma conjuntura que possibilitam a prática de uma parcela dessa
gama. Dentre estas as quais podemos citar a Capoeira, o Caratê, o Judô, e
algumas lutas muito populares e comuns na Escola, em festivais e gincanas como
a Luta-de-braço e o Cabo de guerra, entre outras, que não podem deixar de ser
conhecidas, pois constituem um leque muito amplo de possibilidades de
aprendizagem.
Por
meio das lutas, é possível contribuir com outras áreas do conhecimento,
realizando um trabalho interdisciplinar em que o aluno entrará em contato com a
história de seu país e de outros povos e nações com culturas diferentes, com
possibilidades de vivenciar movimentos novos e enriquecer a sua cultura
corporal.
As lutas estão presentes nos
currículos de Educação Física desde que surgiu o primeiro currículo oficial, em
1939. Segundo o Ministério da Educação e Cultura, através da publicação dos arâmetros
Curriculares Nacionais, as lutas colaboram na construção do indivíduo a partir
do fato que trazem elementos culturais e sociais importantes para isso.
Para o ensino-aprendizagem das lutas
Sabendo que alunos
diferentes frequentarão aulas de lutas, tendo níveis de habilidades e
conhecimento variáveis e características pessoais diversas, o professor deve
assumir que transmitindo a mesma informação para ambos, não vai ter o mesmo
sentido e significado para os praticantes, proporcionando assim motivação
diferente entre eles.
O professor precisará
trabalhar a luta como um jogo de oposição, sendo composta pela aplicação de
habilidades e ações motoras, trabalhando estas ações em ambientes aberto.
Sabendo da relação de oposição inerente às L/AM/MEC, da permissão de ataque a
qualquer momento e simultaneamente, além da possibilidade de contra-ataques, as
pessoas que organizam as praticas devem assumir o processo para se solucionar
os problemas, e não a repetição da solução do problema (FRANCHINI, 1998;
WINCKLE; OZMUN, 2003).
Para isto vale fazer valer o
uso do conhecimento das fases de aprendizagem: cognitiva, associativa e
autônoma. Vasco (2204) prioriza também três esferas de preocupação e atuação
das lutas. A primeira é cognitiva, na qual deve-se estimular a divulgação
cultural, noções físicas como equilíbrio, o controle da raiva e medo. A segunda
privilegia a cooperação mútua para a prática da luta, dado sem companhia não se
luta, a relação espaço-tempo, com a exploração das quedas e da vulnerabilidade
do companheiro, explorando as quedas em função da necessidade de se puxar,
empurrar, dominar e tocar o companheiro sem a intenção de machuca-lo. A
terceira, psico-afetiva, esta relacionada com a tolerância e respeito as
diferenças individuais, ao controle de impulsos, como agressividade.
Existe uma proposta para o
ensino da luta de modo a considerar diferentes faixas etárias:
6 a 8 anos: os alunos devem ser conduzidos à
atividades de pré-luta, denominadas macro-grupais, partindo de jogos de
oposição para jogos de lutas propriamente ditos.
8 a 10 anos: deve-se organizar praticas com
aproximação micro-grupal, estimulando a oposição real e direta e o conforto
corpo a corpo. Nesta faixa estaria deve-se focar na maior especifidade,
diminuição das atividades grupais e aumento das atividades em duplas.
Desta maneira, as etapas seriam organizadas
por diferentes fases, idades, estruturas das atividades e metodologias de
ensino. Segue tabela:
Etapas
|
Fases
|
Idade (anos)
|
Estrutura da atividade
|
Metodologia
|
Pré-luta
|
Aprozimação Macro-grupal
|
6-8
|
Jogos de oposição
Jogos de luta
|
Global Instrutiva
|
Pré-luta
|
Aproximação Microgrupal
|
8-10
|
Atividades de lutas
Jogos de oposição
Jogos de luta
|
Global Instrutiva
Participativa
|
Luta
|
Aproximação Dual
|
10-12/13
|
Jogos de lutas
Modalidades esportivas de combate
|
Mista
Participativa-Emancipatórias
|
Luta
|
Aperfeiçoamento
|
+ 16
|
Modalidades Esportivas de combate
|
Mista
Emancipatória
|
Através desta tabela,
pode-se sugerir, como iniciação, transição dos jogos de cooperação para os de
oposição. Neste caso seriam privilegiadas atividades a longa distancia depois
média e, por fim corpo a corpo. Desta maneira, podemos considerar o gradiente
de envolvimento para atingir o objetivo, 1°- Objetivo, 2°- Território, 3°-
Corpo (VILLAMON; MOLINA, 1999) .
Para tal, são propostas
cinco categorias de jogos (OLIVER, 2002):
1: Jogos de rapidez e atenção: Estimulam a
movimentação intensa, com alternância dos papeis de atacante e atacado e que
evitam o contato próximo com o colega.
2: Jogos de conquistas de objetos. Aproximam
os adversários, mas as principais ações de oposição são feitas em direção a
objetos a serem conquistados. Os papeis de atacante de defensor são separados
3: Jogos de conquistas de territórios :
implicam em aproveitamento e diversificação das ações de desestabilizadoras
para chegar a seus fins. É preciso
puxar, carregar, empurrar, fazer virar e esquivar-se, desviar-se e resistir. O
contato se torna inevitável.
4: Jogos para desiquilibrar: Agir em direção
ao adversário, sem mediação de objeto ou de território. Os papéis de ataque e
defesa são alternados e/ou simultâneos.
5: Jogos para reter, imobilizar e se livrar:
enfrentamentos variados e que obrigam o corpo a corpo. São jogos para resistir
e livrar-se. Os papéis são separados e/ou combinados.
6: Jogos para combater: Estimula-se o combate
completo, sendo que as condutas de ataque e de resistência são concomitantes.
Aqui torna-se indispensável encadear e coordenar todas as ações necessárias ao
combate.
O processo pedagógico e
metodológico de ensino – aprendizagem das L/AM/MEC deve superar as praticas
fechadas cíclicas e não reflexivas. Com isso professores e técnicos devem
privilegiar a vivencia critica e reflexiva das lutas, feita a partir de
situações- problema, aprimoradas de modo aberto e acíclico e que se assemelhem
ao exercício propriamente dito das lutas: A luta.
Violência nas escolas
A violência, bem sabemos, é uma
característica presente na sociedade como um todo e, neste caso, a escola não
fica imune a ela. Ademais, comportamentos mais ou menos agressivos também se
fazem notar nas aulas de Educação Física.
Existem alguns argumentos que impedem que o
professor incite essa prática. O primeiro deles é a falta de vivência da
maioria dos professores com as lutas, ou seja, são poucos os que já lutaram
antes; o segundo é a preocupação com a violência que se imagina que as lutas
possam gerar. Uma coisa que alunos e professores precisam tomar consciência, é
que o professor não precisa saber fazer para saber ensinar. Existem meios para
que o professor possa trabalhar as lutas com os alunos sem tê-las praticado
antes (RONDINELLI).
Também pode se pensar a violência como consequência
do trabalho com as lutas, já que as crianças manteriam contato corporal intenso
durante a prática. Será que isso é verdade? Alguns estudiosos da área, como
Nascimento e Almeida em “A tematização das lutas na Educação Física escolar”
afirmam que a violência pode sim se apresentar como consequência das lutas, mas
também pode se apresentar durante a prática do futebol e do basquetebol, por
exemplo. Tudo depende de como o professor conduzirá a aula. Por isso, violência
não é desculpa para que as lutas não sejam trabalhadas na sua escola
(RONDINELLI).
Olivier (2000, p. 11), ao referir-se à
violência, entende-a como: [...] inerente às relações sociais”, e a concebe
como “[...] modos de expressão e de comunicação”, que surgem em situações de conflito,
de ameaças, de incerteza. O autor posiciona-se no sentido de que as atividades
de luta na escola, sistematizadas e metodologicamente pensadas e conduzidas,
servem como importantes elementos de estruturação motora, psico-afetiva e
social, que ajudam “[...] a criança a gerir e a controlar a complexidade das
relações violentas no interior do grupo social”
A Importância da Ludicidade
A competição, a arte, o jogo e as brincadeiras
mostram o ser humano em busca de si mesmo com a finalidade de garantir sua
sobrevivência, conquistar sua felicidade e alcançar uma real qualidade de vida.
Se alguém deseja conquistar esta situação, é necessário caminhar na direção de
uma Revolução do Lúdico, baseada na esperança, no desafio, na liberdade, nos
conflitos, no amor, na alegria, na cooperação, na beleza e na imaginação.
A ludicidade é a ponte facilitadora da
aprendizagem. Sugere-se que o professor de lutas repense e questione sobre sua
forma de ensinar. Utilizar a corrente da Motricidade Humana que prega o uso do
lúdico como fator motivacional para qualquer tipo de aula, esportiva ou não.
Competição Infantil
Quando se aborda a temática da criança, não
se pode deixar de discutir a questão da competição infantil, não cabe neste
estudo buscar as origens das competições, mas sim, mostrar uma realidade que
está presente em nossa sociedade, que por sinal é altamente competitiva.
O esporte tem como uma de suas
características a competição, na qual são estabelecidas regras a fim de que os
competidores, dentro de uma modalidade esportiva, estejam em condições de
igualdade para a comparação de performance entre eles. Também no esporte
infantil, a competição está presente e, muitas vezes de modo marcante, como na
modalidade Karatê de contato, na qual as regras dos eventos competitivos acabam
tornando-se parâmetro para a elaboração das aulas, sendo o processo de ensino e
aprendizagem, em certa medida, determinado e orientado para a competição.
(GALATTI E COLABORADORES, 2007).
Bruhns (1993) comenta que quando o esporte
competitivo atua como instituição, com o acordo no final, diferenciam-se
perdedores e vencedores.
Segundo Bayer, as modalidades esportivas
coletivas podem ser agrupadas em uma única categoria pelo fato de todas
possuírem seis invariantes: uma bola (ou implemento similar), um espaço de
jogo, parceiros com os quais se joga, adversários, um alvo a atacar (e, de
forma complementar, um alvo a defender) e regras específicas.
São essas invariantes que geram a categoria
Esporte Coletivo, ou Jogo Esportivo Coletivo, e que permitem visualizar uma
mesma estrutura de jogo. Possuindo estrutura comum, é possível considerar as modalidades
esportivas dentro de uma mesma lógica, o que as tornam passíveis de um mesmo
tratamento pedagógico para seu ensino. Esta abordagem de ensino dos esportes
coletivos considera as semelhanças entre as várias modalidades, definindo seis
princípios operacionais comuns, divididos em dois grandes grupos, um para o
ataque e outro para a defesa.
Concepção
Como é desenvolvida a Luta na Escola. Em que
volume e frequência? Para todos os alunos ou àqueles que demonstram interesse
pessoal? A valorização das lutas na escola é comum a todos os professores? A
importância dada? Quais os objetivos? A forma de ensinar dentro da escola é a
mesma das academias? Ou a metodologia é a mesma usada para ensinar os esportes.
Será que há espaço no planejamento curricular de Educação Física para os
conteúdos das lutas?
Nem sempre a Educação Física Escolar é
desenvolvida de forma significativa com grande abordagem dos conteúdos. Estes
estão resumidos à prática desportiva, principalmente aos esportes coletivos
como voleibol, basquetebol, handebol e futebol, limitando a produção de
conhecimento corporal e cultural do aluno. Esta tendência de desenvolvimento de
modalidades desportivas no âmbito escolar, como única forma de entendimento da
Educação Física, pode gerar uma caracterização das aulas de Educação Física
como treinamento desportivo.
A Educação Física escolar já foi confundida
com o esporte de maneira equivocada entre as décadas de 60 e 70, atendendo a
interesses políticos que visavam se beneficiar desta condição. Desta forma, o
esporte foi desenvolvido no âmbito escolar em uma concepção tecnicista, sendo
aplicado desde as primeiras séries do ensino fundamental. Porém, já naquele
período, havia quem criticasse esta iniciação precoce ao jogo desportivo já que
Educação Física era sinônimo de esporte, e era obrigatória desde o ensino
fundamental.
É quase natural, hoje, a extensão dessa
relação com o esporte também para as lutas. As lutas são entendidas na visão
tecnicista, sendo considerados apenas os seus movimentos físicos em detrimento
das outras dimensões culturais, como história, filosofia e comportamento
humano.
A aplicação da luta na Educação Física
Escolar é entendida como uma iniciação esportiva, como aulas alternativas ou,
ainda, como desporto, visando à formação de equipes escolares. Quanto à forma,
são desenvolvidas como formas adaptadas ou simplificadas das lutas conhecidas,
como atividades recreativas ou como jogos de luta. Também são comuns abordagens
sob os seus outros aspectos que não o de combate corporal: a Capoeira é
trabalhada como dança, o “Tai Chi
Chuan” é aplicado como ginástica, bem como outras modalidades.
Quanto à forma de desenvolvimento, as lutas
podem ser inseridas no planejamento curricular do professor de Educação Física,
ou trabalhadas extracurricularmente. Neste caso, geralmente, ministradas por um
instrutor de uma luta específica e não formado em Educação Física, ingressando
os alunos que têm interesse na modalidade.
Contudo, por se tratar de apenas uma
modalidade, e, de não serem conduzidas segundo um planejamento coerente com as
necessidades pedagógicas dos alunos, não pode o professor de uma turma de
alunos considerar estas aulas extracurriculares desculpa para deixar de
desenvolver os conteúdos das lutas nas aulas de educação física. Tampouco usar
o pretexto de que a escola dispõe de aulas de lutas para aqueles que desejarem.
Lembrando que a metodologia que pode estar sendo utilizada pelo instrutor de
luta consista em um método inapropriado para a especificidade física e afetiva
dos alunos.
Segundo a concepção de alguns autores, as
lutas podem ser vistas como uma unidade (“lutas escolares”), onde o professor
permitiria uma “mistura” de elementos das diferentes modalidades de lutas,
consolidados em uma modalidade escolar, com regras próprias.
Outros autores entendem que a educação física
deve proporcionar uma iniciação à modalidade de luta. Nessa concepção,
trabalhar lutas na educação física escolar, traduz-se em uma demonstração de
várias modalidades aos alunos, como “opções” para que estes possam optar pela
modalidade esportiva que desejam praticar, fora da escola. Assim, o professor
não necessita ser formado em uma luta específica, pois pode facilmente usar de
outros recursos como passeios a torneios de lutas, filmes e vídeos
demonstrativos, para “demonstrar” apenas.
O trabalho do professor na Educação Física
Escolar vai além de ensinar ou promover a iniciação em uma modalidade
esportiva, ou seja, a luta como um fim nela mesma. Cabe ao professor, atuar
como um educador, pensando no aluno como uma unidade envolvida em um todo.
Assim, o aluno deixa de ser um depositório de informações, para ser um educando
atuante, que não aceita apenas um aglomerado de conhecimento, mas um
conhecimento que lhe sirva para a vida.
Se atualmente a preocupação central e
primeira da Educação Física escolar é com a formação integral da personalidade
do aluno, de modo a levá-lo a ser o melhor que ele puder ser conscientemente de
sua realidade, autônomo e capaz de auto-sugestão, então, a atenção de seus
professores deveria estar mais voltada para os processos de aprendizagem e
desenvolvimento de sua personalidade do que para os produtos comportamentais
específicos, provenientes de desempenhos físicos.
É claro que não é o processo educativo
enquanto conjunto de técnicas, metodologias e sistemas reprodutores de
resultados que deve ser encarado como prioritário. Mas, especialmente, o
processo de crescimento de uma criança em formação, exposta as agressões do
meio em que vive principalmente na escola. A Educação Física tem de respeitar
os níveis de maturidade motora, a capacidade de rendimentos e os interesses
individuais de cada criança. Caso contrário, não passará de um adestramento
físico.
As lutas na educação física escolar devem,
também, pretender a formação integral da personalidade do aluno, proporcionando
estímulo para o despertar conscientemente de sua realidade. Nessa concepção os
movimentos técnicos são preteridos pelos desenvolvimentos cognitivos,
psicomotores e afetivos. Nesse ponto todas as vivências na prática de lutas
serão aproveitadas, mesmo a autopercepção das dificuldades na realização dos
movimentos, as agressões, porventura, existentes, as vitórias ou as derrotas.
Os alunos devem perceber os resultados das
atividades físicas como produto dos treinamentos, pois de certo modo contribui
para o entendimento deles quanto às modificações fisiológicas e conhecimentos
sobre o corpo.
Trata-se de muito mais que o aprendizado de
movimentos de ataque, defesa, constitui-se no entendimento dessa manifestação
cultural do movimento humano em todos os seus níveis e relações: a criação e
desenvolvimento dos movimentos, historicamente produzidos, enquanto finalidade
de combate ou autodefesa; os preceitos filosóficos que norteiam as artes
marciais orientais e a relação desses com o contexto social e cultural na
época; a presença em filmes e desenhos animados e a compreensão dos exageros e
efeitos especiais; os eventos desportivos enquanto movimentos sociais,
econômicos e políticos; as diferenças entre as modalidades; os benefícios e
riscos, psicológicos e físicos, da prática de lutas.
As lutas e as artes marciais, quando
trabalhadas em Educação Física Escolar, podem ser utilizadas como apenas
instrumentos pedagógicos, visando oportunizar situações para desenvolver
aspectos diferentes do aluno como psicomotor ou afetivo. Em uma analogia com o
futebol escolar, este seria utilizado para desenvolver aspectos sociais como a
cooperação, integração, sem haver preocupação do professor em trabalhar os
conhecimentos específicos desse esporte (por exemplo: as regras, a estrutura,
posição dos jogadores, eventos esportivos, fundamentos do esporte). É possível,
seguindo uma tendência crítica nas aulas de educação física, contudo,
estar-se-ia perdendo todas as possibilidades de informações peculiares a uma
luta em específico: como a historicidade, o movimento cultural e político que
fomentou a criação da luta, as diferenças entre os povos, entre outras.
A própria Educação Física ainda está em busca
de sua identidade. E as lutas, como ramo da Educação Física Escolar, estão em
situação menos avançada. É fácil constatar a estagnação em que se encontra,
verificando-se o reduzido número de obras literárias específicas a respeito.
Contribuição pedagógica
Associada às aulas de Educação Física, as
atividades de lutas oportunizam o desenvolvimento de um caráter autoperceptivo
dos alunos, pois, quando utilizadas como instrumento de aprendizagem, colocam
dificuldades motoras e psicológicas, potencializando a formação de um ambiente
reflexivo e autocrítico para solução e compreensão dos problemas.
Vimos que a Educação Física trabalha com as
formas de representação e compreensão do mundo expressas pelo corpo, portanto,
o professor deve proporcionar aos seus alunos, assim como dizem os Parâmetros
Curriculares Nacionais, a ampliação do repertório gestual, de maneira a
capacitar o corpo para o movimento, possibilitando sentido e organização às
suas potencialidades.
Porém, não basta demonstrar uma série de
movimentos e pedir para que os alunos reproduzam. É preciso que a luta tenha um
significado na aprendizagem. E, para isso, o professor deve planejar
antecipadamente o que irá fazer e definir seus objetivos com clareza, para que
a aula com lutas não se torne enfadonha e desestimulante.
O desenvolvimento cognitivo, intelectual, ou
simplesmente, a “aquisição de conhecimento”, em lutas trata-se mais que saber o
que é um “soco”, ou o que é a “Luta Livre”. Mais que repetir dezenas de
movimentos existentes nas lutas, o educando necessita apreender os conceitos
gerais que estão contidos em cada um desses gestos.
Muitos conceitos aprendidos com os movimentos
de lutas, serão aproveitados em outras atividades físicas ou modalidades
esportivas. Por exemplo, o conhecimento básico de quedas, ensinado no Judô,
muito útil será para a vida toda do indivíduo, que poderá reduzir ou evitar
danos em acidentes que lhe ocorram. Os conceitos de luta podem ser traduzidos
para situações diárias do aluno, onde manter o autocontrole e escolher a melhor
alternativa segundo o problema identificado (conceitos de “defesa” e
“contra-ataque”), pode ser o caminho para uma vida social em equilíbrio com
colegas, professores e amigos.
Assim, é possível a utilização das
modalidades de lutas para o desenvolvimento do aluno de uma maneira ampla. Isso
significa que além das práticas corporais, deve ser somada às praticas de
comportamento e atitudes, de estímulo à pesquisa individual e a reflexão, para
que os educandos não se limitem apenas aos momentos com o professor, mas
utilizem o que aprenderam de bom e busquem mais conhecimento, fora das aulas.
A prática em uma modalidade de luta ou arte
marcial pode apresentar mais benefícios em um aspecto que a prática em outra.
Não é possível precisar essa diferença e o professor deve diversificar as
atividades, para permitir o conhecimento da dimensão do universo das lutas e
artes marciais. Na Capoeira, por exemplo, existem oportunidades para
desenvolver o senso crítico, político e social, ao estudarmos o seu surgimento.
Sendo assim, sabendo que a luta é um
instrumento com grande teor físico, emocional e intelectual, que contribui
diretamente para o desenvolvimento global do indivíduo, e que esta arte faz
parte da cultura humana, sua presença na escola é justificada, pois, por meio
dela, o educando desenvolve a compreensão de sua capacidade de movimento,
mediante um maior entendimento de como seu corpo funciona, podendo usá-lo
expressivamente com maior inteligência, autonomia, responsabilidade e
sensibilidade.
A luta é uma forma de integração e atividade
coletiva, em que o educando tem a possibilidade de exercitar a atenção, a
percepção, a colaboração e a solidariedade. Contribui, também, para o
desenvolvimento do aluno no que se refere à consciência e à construção de sua
imagem corporal, aspectos que são fundamentais para seu crescimento individual
e sua consciência social. Por meio da luta, o indivíduo pode conhecer a si
próprio e aos outros, explorar o mundo das emoções e da imaginação e criar e
descobrir novos movimentos.
Além disso, são explorados aspectos relativos
à flexibilidade articular e à capacidade aeróbica. A concentração, a adequação
psicossocial, a melhora da autoestima, o respeito e a disciplina são valores
agregados à prática da luta.
Alguns objetivos possíveis de obter-se com a
prática de artes marciais:
Equilibrar no ser humano os desejos com as
tendências vocacionais, de tal forma que aprenda desejar o que na prática faz
da melhor maneira;
Desenvolver o potencial do homem forte e
corajoso, para o bem, o justo, o belo e o verdadeiro;
Ensinar a lidar com o medo;
Ensinar a viver estrategicamente;
Propor soluções de como preservar a saúde e
controlar o estresse;
Ensinar a lidar com a solidão extraindo a
mensagem do silêncio;
Mostrar como desenvolver a personalidade
taticamente;
Mostrar como criar uma técnica que permita
que os ideais conduzam a ações práticas em todos os instantes da vida;
Desenvolver o espiritual e o humano;
A prática da Filosofia das Artes Marciais
implica, pois, uma forma de vida sóbria, sensata, paciente, plena de amor e em
harmonia com todo o universo.
Conclusão
Com base neste estudo aqui apresentados, pode
concluir que as lutas são de suma importância para o processo ensino
aprendizado de alunos das escolas. Os professores tem que incluir as lutas
(jogos de oposição) em suas aulas, mesmo se os mesmos não forem formados em
modalidades. É importante, mostrar para cada aluno o verdadeiro significado do “Ensinar
Lutas”.
Referências
DEL VECCHIO, F. B;
FRANCHINI, E. Princípios pedagógicos e
metodológicos no ensino das lutas. 2012.
GALATTI, L. R., Et
al. Pedagogia do esporte e competição Infantil: analise e proposições a partir
do karate de contato. Movimento &
Percepção, Espírito Santo do Pinhal, SP, v.8, nº 11, jul/dez 2007.
LANÇANOVA,
J. Lutas na Educação Fisica Escolar: Alternativas Pedagogicas. Disponivel em: http://lutasescolar.vilabol.uol.com.br/cap_dois.html
Nenhum comentário:
Postar um comentário